FRIO NO RIO DE JANEIRO EM DEZEMBRO | LA NIÑA

Estamos todos muito atentos no clima da nossa região Sudeste nesse ultimo trimestre do ano, devido a diversos fatores, mas principalmente às chuvas. Que normalmente se formam mediante ao calor exagerado que faz. São as conhecidas chuvas convectivas, que nada mais são que as chuvas formadas pela evaporação causada por esse calor na superfície terrestre, as chuvas de verão. Pois bem, como esse calor que todos estávamos esperando não veio, o assunto virou outro, o frio: “Mas que delícia esse friozinho em pleno Dezembro, aqui no Rio!”

E esse tempo mais ameno tem surpreendido muita gente e gerado frustração e alegrias. Aos que gostam de um tempo mais agradável (como eu), tem sido dias muito alegres e felizes, sem precisar ficar todo suado com apenas dois passos. Já aos que gostam daquele “calorão”, tem sido dias pacatos e tristes. Só lamento! Esse é o nosso ano, vocês que curtem um clima frio.

Mas porque isso está acontecendo?

Existe um fenômeno que tem localização no oceano pacífico sul, conhecido como El Niño. Ele é responsável pela elevação da temperatura em escala mundial. Normalmente tem duração de 1 ano a 1 ano e meio, e acontece em intervalos de 2 a 7 anos. Ele acontece porque algumas correntes de ar, conhecidas como “ventos alísios” começam a soprar com menos força que normalmente sopram.

“Normalmente”, quando não há a presença do El Niño, os ventos alísios sopram no sentido oeste (da América para a Ásia), causando um excesso de água no pacífico asiático e oceânico. De tal forma que a costa da Indonésia chega a registrar altura (de nível do mar) 1 metro mais elevado que a costa Sul Americana. Isso provoca uma ressurgência (mesmo fenômeno que ocorre na costa de Cabo Frio-RJ), fazendo que as águas mais frias, localizadas no fundo do mar e carregadas de nutrientes, possam emergir. Causando até uma superpopulação de peixes, e registrando as melhores médias históricas de pesca na costa do Chile e do Peru.

Mas, como já disse,  em anos de El Niño esses ventos sopram com menos força, provocando uma diminuição da ressurgência. Logo, menos água fria e mais água aquecida na superfície. As massas de ar quentes e úmidas acompanham as águas mais quentes, e provocam muitas chuvas na América do sul (mas não são frentes frias, são aquelas chuvas em que o clima está muito abafado. Que chove, chove e chove, mais ainda continua calor!) e secas na Indonésia e Austrália. Esse fenômeno ocorre em nível global: ele afeta a seca na África – que se acentua; O verão Europeu – que fica muito mais quente; e o inverno Norte Americano – que fica mais seco.

A La Niña é o fenômeno inverso (tanto que em alguns lugares ele – ou ela – é chamada de “El Viejo” ou até “Anti-El Niño”). Acontece quando esses lentos alísios sopram com mais intensidade que o normal. Provocando uma ressurgência mais intensa, com as águas ficando ainda mais frias que em anos de normalidade. Percebe-se ainda uma alteração na pressão atmosférica de algumas localidades do oceano pacífico, o central e o Asiático tem elevação com relação ao Sul Americano. Dessa mesma forma, as massas mais frias acompanham essas águas mais frias, interferindo no clima em escala mundial.

Dentre os eventos mais importantes em anos de La Niña, estão a passagem de frentes frias mais freqüentes e mais rápidas pelo sul do Brasil; A chegada de frentes frias ao Norte e Nordeste Brasileiro, com chuvas abundantes sobre a Amazônia e possibilidade de chegada de chuva no Semi-Árido; Temperaturas a baixo do normal para o verão no Sudeste Brasileiro; Aumento do frio na costa Oeste dos EUA e do Japão e Aumento das chuvas na costa leste da Ásia.

É importante notar que anomalias como as chuvas de verão do início de 2011 e o inverno mais acentuado entre junho e agosto desse mesmo ano, já eram prenuncio da chegada da La Niña. Esse padrão climático favorece a chegada das frentes frias e deixa a temperatura bem mais amena. Neste ultimo mês de novembro a média da temperatura foi de 27º C, quando deveria ser de 31º C. Os dias típicos do verão fluminense, em que as médias podem alcançar os 40ºC serão intercalados por períodos chuvosos e de presença de frentes mais frias. O fenômeno da La Niña também está associado ao aumento de intensidade de tempestades em algumas regiões e estiagem prolongadas em outras.

Nota: Vale lembrar que o termo, utilizado aqui no Brasil como “Aquecimento Global”, na verdade significa “Planeta em Atenção”, pois se origina de “Global Warming”. E está relacionado não somente ao aumento da temperatura do planeta em alguns graus, mas sim (e principalmente) ao desajuste do clima normalmente estabelecido.

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Gedielson Silva é Professor de Geografia, formado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Duque de Caxias (FEUDUC).
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